Quando eu troquei o Windows pelo Linux . . .

O que vai rolar nesse post é um relato livre e relativamente básico da minha experiência. Se alguém quiser acrescentar a sua e pudermos começar a dialogar sobre isso vai ser ótimo, mas se pelo menos a minha experiência servir para alguém realmente resolver experimentar já vai ser legal também =)

Eu sou uma usuária Linux há pouco tempo, na verdade, usuária já faz algum tempo, o instalei pela primeira vez e comecei a usá-lo, para conhecer, há uns 3 anos. Mas utilizando direto, para tudo que eu faço, mesmo quando utilizando ‘arquivos Windows’ da vida, faz cerca de 6 meses. E agora, me sinto segura de convidar pessoas a experimentar, a conhecer um sistema que, por experiência, considero mais estável e mais seguro.

As versões do Linux que eu já instalei e/ou usei são as seguintes: Mandriva, Kurumin, Conectiva e Satux. A distribuição que mais gosto venho utilizando há mais tempo e da qual tenho um pouco mais de conhecimento é o Linux Ubuntu (atualmente a sua versão Lucid Linx 10.04 é a versão que eu uso e pode ser baixada aqui).

Eu sou uma usuária Windows desde que conheço ‘computador’ e aí totalizam-se cerca de 12 anos de Windows na veia… Isso é bastante tempo.

E eu sempre fui meio metida a ‘fuçar’ então tem várias coisas que eu me viro bem. No Windows, eu saco alguma coisa redes e hardware de uma maneira geral e um pouco mais de programação, pois tive uma formação muito voltada para esse sistema. Além disso, conheço bem os programas e tenho grande facilidade em manipulá-los. Como exemplos cito o pacote Microsoft Office, o Photoshop e o Corel Draw [os dois últimos, porque eu sempre gostei e trabalhei (ainda trabalho) com esse lance de design].

Estou explicando isso, pois decidir pelo Linux pra mim, foi bem difícil por essas e por outras. Na verdade, foram mais de 2 anos como eu disse de ‘tentar começar a usar de verdade’. Pois eu já tinha muito conhecimento sobre o Windows e achava que ia ser um recomeço desnecessário. Mas não foi.

Primeiras ‘lições’:
Se você não conhece nem um sistema nem o outro, não há desvantagens aparentes em começar usando o Linux. Em questão de interface, ele não é nem um pouco mais difícil que o Windows, ao contrário, oferece até muitas facilidades e eu acho que é ainda mais intuitivo.

Se você conhece bem o Windows, vai perceber rápido as vantagens mesmo sendo um usuário de funções bem básicas. Um sistema que quase nunca trava, não tem vírus e com o qual você não perde seus dados a qualquer hora parece um sonho? Mas existe e é gratuito.

Vou falar um pouco mais dos meus prós e contras pessoais e se você está pensando em trocar de sistema principal, tire suas conclusões! Se você está só começando no universo da informática, vai conhecendo um pouco de cada um, e se você já está imerso nesse universo como eu, com certeza terá muita coisa a acrescentar e concordar ou discordar comigo!

  • INSTALAÇÃO 🙂

O CD de instalação do Linux oferece uma interface super bonita, que qualquer um é capaz de entender e usar, muito mais interessante que a tradicional tela azul do Windows. Além de ser bonita, é simples e funcional. Permite ao usuário testar o sistema sem instalar nada ou instalar sem danificar nada no sistema operacional que tiver, ou seja, se você tem Windows na sua máquina, pode instalar o Linux sem perder o sistema ou nenhum de seus dados =)

A grande maioria dos drivers é instalada e detectada automaticamente pelo Linux. Então, basta você rodar a instalação e sair usando o sistema com tudo funcionando, desde o seu vídeo (monitor) até o acesso internet! Tudo automático!

    Instalador do Ubuntu - Exemplo em Inglês

  • DRIVERS 😦

Uma coisa que infelizmente, eu me deparo com algumas pessoas quando toco nesse assunto de sistemas operacionais… As pessoas dizem: “O Windows dá tanto erro, tem tanto vírus e eu uso pirata pois não teria como pagar uma licença tão cara”… A minha resposta é imediata “Então instala o Linux!” Pra quem nunca tentou, o convencimento é mais fácil, algumas vantagens são aparentes, como a segurança maior dos dados, a gratuidade…

Porém, pra quem já tentou instalar, algumas vezes a pessoa me diz: “E OS DRIVERS DOS DISPOSITIVOS?”, “A minha impressora não funciona no Linux!”. E realmente… Não dá para dizer que é super simples obter QUALQUER driver pra Linux… Por mais que a maioria das vezes seja quase tão simples quanto para Windows, nem tudo é compatível (e é claro, a culpa não é do ‘Linux’ por assim dizer, mas sim dos fabricantes de hardware que os fazem restritos ao sistema proprietário… Mas sabemos que “no Windows, eu faço um download, dou dois cliques e a parada simplesmente funciona e pronto!” Ponto negativo pro Linux.

SOLUÇÃO: Infelizmente, a solução nesse caso aqui é gritar alguém com um pouco mais de experiência pra fazer um ‘truque’ do tipo emular um driver, usar um driver similar… (Google também resolve a maioria dos casos, caso você seja curioso!) Mas se você não é nem um pouquinho curioso ou não gosta de ‘faça você mesmo na internet’, há de admitir que não vai buscar os drivers, mesmo para Windows…. Então, não acho que seja um problema tão cruel! E é um problema que uma vez resolvido, não afeta mais ao longo do uso. Então o pouco de trabalho que pode dar compensa!

  • LIBERDADE 🙂

Eu, pessoalmente, acabo precisando utilizar várias coisas mais avançadas do que um usuário comum utiliza, devido há questão ao minha área de estudo/trabalho, então preciso de N milhões de recursos a mais no meu sistema. Assim, vejo que a liberdade que os sistemas Linux nos conferem é incrível! E a praticidade em se instalar pacotes (que são programas, bibliotecas…) simplifica muito a vida!

Quando me falta um codec para poder executar algum tipo de arquivo simplesmente o sistema me informa o pacote que eu devo baixar e eu… Baixo! O Linux acessa a internet, vê aonde está o que preciso, faz o download e instala para mim!!!

Se você é usuário Windows sabe o que acontece quando não consegue abrir um arquivo e o sistema se oferece para ‘buscar o pacote adequado na rede’… Não retorna nada! Pelo menos para mim, em 100% dos casos que isso aconteceu, eu tive que buscar o programa adequado na mão! Nada prático, senhor Windows!

  • GRATUIDADE 🙂

Isso é óbvio, mais no Linux é tudo de graça, nada de pirataria! É muito melhor do que piratear ou pagar a partir de R$220 até muitos reais além disso por uma licença (pense nisso para uma empresa, cuja licença é ainda mais cara! Quanta economia! E claro, apesar de estar todo mundo ‘acostumado’ a isso, usar software pirata é crime!)

E a gratuidade no Linux é também para todos os programas! Não só para o sistema!

  • EVOLUÇÃO 🙂

As atualizações acontecem em um ritmo rápido e os programas adquirem recursos e funcionalidades novas e bacanas bem rápido, devido a forma como são desenvolvidos… De maneira colaborativa! E essa idéia de colaboração, código aberto e grátis me agrada muito também. Fora o fato do objetivo de sempre compatibilizar as coisas para múltiplas plataformas… Não tem coisa mais chata do que um programa que ‘só roda em Windows’ e você não consegue usar no Linux. Ou um site que só roda em um navegador… Nesses tempos de informação ultra-rápida e em qualquer lugar, portabilidade é tudo! Eu adoro acessar meus arquivos do Windows pelo Linux e detestooo não ter a liberdade de fazer o contrário!

  • PROGRAMAS 😦

Área de trabalho do Ubuntu

É… Não dá para dar dois cliques e usar Corel Draw, Photoshop, jogos (como Counter Strike, Guitar Hero, WarCraft …) no Linux. Isso é mais um quase ponto contra.

SOLUÇÃO: Falarei com mais detalhe num próximo post, sobre dicas para Linux Ubuntu, mas nós temos programas como o Wine e o PlayOnLinux que nos permitem executar aplicações Windows numa boa no Linux. Além de termos programas similares para cada um que usamos comumente no Windows e que algumas vezes são até melhores!

  • LISTA DE PROGRAMAS LINUX / UBUNTU!

O pacote de programas padrão é bem legal no Linux! Já temos por padrão ao instalar (estou falando da versão mais recente do Ubuntu, a 10.04):

  • BROffice (Writer-Editor de Texto, Calc-Planilha Eletrônica, Impress-Apresentação) – Comparáveis ao Microsoft Office (Word, Excel, PowerPoint)
  • Mais jogos (além dos tradicionais padrões do Windows, Paciência, FreeCel e Campo minado) como os clássicos Majohng, Sudoku e Tetris
  • Vem com um gravador de CD/DVD (comparável ao Nero) por padrão
  • Um programa para acessar seus sites de relacionamento e bate-papos favoritos sem precisar instalar nada (como GoogleTalk, MSN, AIM, Facebook, Myspace…)
  • Um digitalizador de imagens
  • Reprodutores de músicas e filmes
  • O navegador Mozilla Firefox (similar ao Internet Explorer, mas bem melhor! E com facilidade enorme de instalar upgrades e complementos!)
  • E muitas outras coisas 🙂

Alguns outros programas que nós conhecemos do Windows e que possuem similares bem eficientes no Linux, cito apenas alguns exemplos:

Fico por aqui para o post não ficar extenso demais (apesar de já estar!). Pretendo abordar esse assunto em outros posts e ir aprofundando e seguindo sugestões e opiniões que venham a surgir.

Para resumir: “Experimentar é a melhor forma de saber se é bom! De descobrir o que é realmente bom! (quase sempre! rs) E é uma forma realmente eficiente de ter base para criticar =)”

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4 responses to “Quando eu troquei o Windows pelo Linux . . .

  • tarsis azevedo

    “Quando eu troquei o windows pelo linux…” foi por pura necessidade, pois comecei a trabalhar no nsi e fui aconselhado(OBRIGADO hsaUSHAU) a trocar de sistema. E nao me arrependo nem um pouco! Obrigado por me mostrarem a liberdade!

  • Natanael

    Excelente artigo.

    Achei alguns pequenos equívocos no texto, que talvez possam deixar um leitor mais inexperiente no assunto um pouco iludido:
    O Open Solaris não é Linux nem derivado dele.
    Nem todos os programas escritos para Linux são grátis.
    O preço de uma licença MS Windows 7 é de $119.99, que seria marromeno R$ 220,00, mas como moramos no meio do mato, isso vira uns R$ 350,00. Falo da versão Home Premium, que convenhamos, é bem completa para usuário normais e até para nós. O Ultimate Ultra Gold Über Xtreme Plus 4 Queijos quase não tem funções a mais (não achei nenhuma que usaria, dispensaria todas), além do foco corporativo. Não parece certo usar a versão mais cara possível como parâmetro de comparação, vejamos o foco.

    Agora, opiniões.
    Sobre a velocidade com que os programas para a plataforma são desenvolvidos e “vitaminados”, não percebo que isso seja diferente entre as duas plataformas. E se fosse para apostar, talvez ainda apostaria no mercado proprietário, já que não dependem de mão de obra voluntária disponível e etc. Mas claro que sempre tem casos isolados, como o IE que evolui faz 200 anos mas até hoje perde feio para o Firefox e Chrome, ambos livres, ou ainda o Wine (que roda ALGUMAS aplicações Win numa boa), que era alpha/beta desde o grande dilúvio até pouco tempo atrás aí.

    Se o driver oficial para seu hardware inexiste, mesmo se você achar alguma versão livre por aí, conseguir instalar, e ele funcionar, com exceção de alguns mais famosos e estáveis, o desempenho dele no Linux vai ser tão nojento que você vai querer xingar muito no tuíter (minha ATI x300 séries que o diga).
    Note que isso não é culpa do linux, visto que os desenvolvedores tem que se virar para arrumar as especificalções do hardware e fazem tudo voluntariamente, já que as fabricantes dão de ombros para o Linux. Mas, de qualquer modo, isso não muda o quadro. Na decisão de qual SO você vai usar como principal, isso DEVE ser levado em consideração, não interessa de quem é a culpa, o problema existe.

    Acho que na questão de liberdade, você falou sobre usabilidade 🙂
    IMHO, código aberto nem faz diferença para o usuário básico, na maioria das vezes.

    Como sempre digo, Software Livre NÃO é melhor que software proprietário (pausa para tirar as pedras de cima do teclado e colar um band-aid no olho). O código aberto é uma vantagem, e as vezes, dependendo do caso, pode ser um fator indispensável, mas o melhor software vai ser o software que melhor fizer o que promete, melhor servir o usuário, independente do tipo da licença. Note também que nem sempre o “melhor” software é realmente o melhor ou o mais viável para mim, por exemplo: você PRECISA usar Adobe Photoshop e o Corel DRAW? Ou o Gimp e o Inkscape te servem? Eu preciso do MS Office e do TextMate? Ou o OpenOffice e o VIM me atende?

    O conselho que fica é o seguinte: o legal é experimentar, tentar se acostumar, ver se agrada e principalmente, ver se te atende. Se você trabalha com Photoshop, Auto Cad ou qualquer outro programa profissional do tipo que só tenha para Windows ou Mac e quer usar Linux, você está fazendo isso errado, ao menos por enquanto. Lógicamente o custo da licença do software deve ser pouco perto do lucro que você tem com ele.

    Enfim, meu lema é: fuja do software proprietário, fuja do software livre. Use o software bom.
    Apesar de saber que falar assim do software livre é como falar mal de Jesus, não quero parecer grosseiro, nem fanboy de alguma plataforma. Na verdade, prefiro alguma distro moderna do Linux como o Ubuntu ao Windows 7, mas mais por questões de costume/gosto que por “liberdade”. E ainda, apesar de ainda me considerar noob, no mundo do desenvolvimento de software, me sinto bastante atraído pelo Open Source, visto como modelo de desenvolvimento/distribuição, e não como paixão irracional, filosofia de vida, religião, liberdade atrelada à questões éticas e outras bobagens.

    Me desculpem os erros de português, o tamanho do comentário e a antipatia. Se disse algum absurdo, avisem please, correjem-me.
    Abraços, e parabéns pelo post.

    • tecnounao

      Me equivoquei ao citar o Open Solaris. Como o nome diz, o mesmo é baseado em Solaris, o sistema da Sun, que originalmente é pago . Retirei a citação do texto. Obrigada pela correção.

      Os valores foram corrigidos no texto também. O Windows era bem mais caro há alguns anos atrás. Mas hoje é possível obter licença por até um pouco menos do que o Natanael citou no Brasil. A licença do Windows 7 Home Premium custa cerca de 220.00 a 280,00 aqui, pelo que pesquisei. Os custos são mais altos para empresas, como havia mencionado no post. Essa é uma página onde é possível comparar preços e características atuais: http://www.precomania.com/search_attrib.php/page_id=186/popup1%255B%255D=20:164/

      Sobre os demais comentários, foram excelentes, muito bons para fazer pensar sobre alguns pontos que de repente não são vistos de primeira no texto! Obrigada.

      Só para acrescentar… Nada de religião! Nada de verdades absolutas! Por isso o texto é um convite a experimentar!

      Mas há muita coisa realmente melhor no âmbito dos softwares/conteúdos desenvolvidos de maneira livre e colaborativa! Então, que fique o registro: não é por ser livre que o Linux é melhor (e me limito a falar isso sobre as distribuições que conheço), simplesmente ele é melhor… E é livre! =) (olha que legal!)

      E isso acontece em muitos outros softwares. E eu vou incentivar o uso de softwares livres / Open Source sempre que possível, mas sempre que considerar realmente a melhor opção!

  • Marcelo Soares

    Gostei do post. É sempre bom encontrar alguém que desfrutar da mesma coisa que gostamos.
    Quando eu comecei no Linux foi com o Kurumin. Paixão ao primeiro boot. A versão que instalei foi a 4.0. Sensacional! Reconheceu todo o meu computador e ainda foi fácil achar o driver de minha impressora, uma Lexmark Z25. Sofri muito com a descontinuidade do Kurumin. Tentei o BigLinux e gostei muito, tanto que sempre acompanho os lançamentos do BigBruno, mas igual a você achei conforto e um lugar seguro no Ubuntu. E confesso que estou super radiante com essa nova versão.

    Um abraço.

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